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domingo, 26 de fevereiro de 2012

Mulheres: 80 anos votando. Como estamos?


Temos 80 anos de direito ao voto mas isso só não basta, a luta agora é a representatividade.
Apesar dos avanços já alcançados, como termos uma presidente mulher, ainda somos minoria em parlamentos e prefeituras. Por que será?

Primeiramente pensando a política nacional, enquanto ela não for reformada, temos dois fatores determinantes: o primeiro é o capital e o segundo os reflexos da sociedade.
Por essa ótica tendo em vista uma sociedade machista a tendência é termos menos mulheres governando. Aprofundando mais ainda, mais difícil ainda vermos mulheres negras e pobres no governo. Entendem o sentido? O machismo não afeta somente na hora do voto como também no processo que ocorre antes dele, nas convenções e dia a dia de partidos. Enfrentamos preconceitos internos e dificuldades que são próprias nossas, por exemplo, nunca vi um homem levar o filho a uma reunião, mas na reunião da UBM dessa sexta havia duas crianças junto às mães. Todos esses poréns fazem com que a militância se torne um pouco mais difícil para as mulheres jovens e bem mais difícil para as mulheres mais velhas tendo em vista que dentro da juventude alguns preconceitos já estão superados, ao contrário do setor com mais idade. Então, o que faremos? Bom, o primeiro passo é a organização interna nos partidos e na sociedade civil. Trago aqui o exemplo da UBM de Rio Grande através de uma observação interna minha: as mulheres que hoje estão brilhantemente fundando e alicerçando este grupo, antes eram conhecidas como a mulher do sicrano, a irmã do fulano, a namorada do beltrano... Hoje somos fulana, sicrana e beltrana liderança! A diferença é que nosso referencial dentro do partido deixou de ser os homens que estavam ao nosso lado e passou a ser nosso trabalho, nossa militância. Estamos ocupando espaço, marcando posição, isso através da nossa organização.
Mulheres, precisamos disso! Hoje em dia a lei eleitoral diz que as coligações devem apresentar 30% de sua nominata proporcional feminina, porém só isso não basta. Isso por si só apesar de ajudar faz com que muitos partidos filiem mulheres à marra apenas para concorrer aleatoriamente sem nenhum projeto político e sem trabalho de base. Isso não é o ideal entendem? Precisamos de uma nova cultura social e política de igualdade!
Não queremos ser mais e nem menos, queremos ser iguais. Em todos os lugares e também no parlamento!

Por Daniele Gautério, vice-sul da UEE-Livre RS, Coordenadora do DCE Furg e dirigente estadual da UJS, em seu blog Voando Aqui Dentro

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Quem tem medo do carnaval?

Mais um ano eleitoral. Mal acabou eleição e já somos jogados em outra. E nem sempre são os candidatos ou pré-candidatos que forçam essa exasperação política. Grande parte da responsabilidade por estarmos sempre respirando pleitos é, sim, da imprensa que, mal tem um resultado, já trata de criar novas candidaturas. Como se sabe, o produto eleição sempre vendeu – e ainda vende – muito bem. Nada melhor, então, do que ampliar ao máximo o tempo da política.


Diferente da imprensa norte-americana, que tem lado assumido e, portanto, é mais transparente em seus objetivos, a imprensa tupiniquim gaudéria está longe disso. A ilusão da isonomia e da isenção escorrega em coberturas de fatos ou factóides populares. E, aqui, o samba atravessado é o das coberturas pretensamente objetivas que, ao se forçarem acessíveis e vendáveis, apelam para o método do “jornalismo Contigo”, enfocando, de forma privilegiada, alguns foliões e fiéis eleitorais.

Eis uma forma – eles argumentariam do alto de suas redações – de dar uma narrativa mais fluida, menos densa à enfadonha e insuportável política. Mas quem paga por isso? A credibilidade.

Afinal, qual a fé das pessoas em jornais? A mesma de políticos que desfilam abanando em procissão. A mesma de carnavalescos de um ano só. A mesma de alguns pré-candidatos que pecam pelo excesso: melhor desfilar em muitas para garantir visibilidade. O que têm em comum a imprensa e os tais candidatos fieis e foliões? A incredulidade.

Dica aos políticos: eventos de corte popular jamais podem e poderão ser tratados como um mero trampolim. O preço é caro para quem faz isso.

Então vamos ao que eu, moradora de Porto Alegre, mas não eleitora da capital, me pergunto: o errado é aquela pessoa que desde criança vai à procissão de Navegantes e, anos mais torna-se comunista e segue cristã (caso da Manuela d’Ávila)? Ou o errado é o evangélico, cuja fé –legítima – o impede de adorar santos, que, num ato performático de adoração, escolta uma imagem por quilômetros, sem sequer corar (caso Fortunati)? Religião é coisa séria e coerente. Deveria ser tratada assim.

Já na cobertura do carnaval, faltou dizer que até comunista caiu no samba. Faltou dizer quem desfila há quantos em cada escola. Faltou dizer quem tem história. Faltou, ora, faltou objetividade e apuração. Ou talvez não tenha faltado e, sim, sobrado omissão. O que, quem, quando, onde e como deixaram de existir na cobertura da RBS durante os desfiles.

Antecipando a disputa eleitoral – mais uma vez – a emissora tomou partido. Nada declaradamente, claro. Mas a nitidez da tentativa de burlar um universo de informações públicas vazou. As informações, que, teimosas, insistem em sobreviver e circular para além da objetividade pouco objetiva e seletiva, circularam. E, num lapso, puderam – vejam bem –ser conferidas em um dos veículos da própria emissora. O resultado de vídeos publicados pelo Diário Gaúcho: Manuela teve 2400 acessos; Fortunati 100.

No fim das contas, o problema atinge a quem? Os candidatos que simplesmente não aparecem ou deixam de ser citados? Aqueles candidatos inventados de última hora para preencher espaços? A imprensa? Não, é o povo. O povo que, aos poucos, vai deixando de acreditar. Já desacredita em quase tudo, mas mantém a esperança. Mesmo desacreditando a imprensa, aquela que prega ética de manual em punho e age de acordo com o que a publicidade (!) manda.

Duas coisas são sagradas ao povo: fé e carnaval. Não tentem, então, esconder fatos. Não brinquem com a fé das pessoas. Tomem coragem e tomem partido. Tenham lado. Chimangos ou maragatos, gremistas ou colorados, todo gaúcho tem postura, tem coragem e tem, acima de tudo, a história recente em sua memória. “Eu li na Zero” já não é mais sinônimo de verdade absoluta; “vi no Jornal do Almoço” tampouco.

Pode se mudar de lado, afinal só os intolerantes não mudam de opinião. Mas ter sempre o lado da situação (mudar não mudando), embora elas sejam opostas a cada quatro anos, é demagogia demais. Não se pode cegar ou menosprezar aqueles que são os personagens principais de uma eleição: os eleitores.

Então, que todos coloquem seus blocos nas ruas: partidos, candidatos, eleitores e imprensa.

Para encerrar, não podemos esquecer – tal como os escândalos políticos – que a mesma imprensa que muda de lado conforme mudam os investimentos publicitários também tem manchetes impressas. Mais: tem a omissão estampada no silêncio estridente. E, tão certo como a procissão de Navegantes e o carnaval não acontecem a cada quatro anos, as manchetes e mudanças de lado são identificadas. A ilusão da objetividade também cobra o seu preço. E costuma cobrar caro.

Parece que as posições estão tomadas. A imprensa do prefeito Fortunati ganha força nessa emissora. Já Manuela, mesmo desfilando há 11 anos na mesma escola, faz com que o abre-alas de sua escola não seja mostrado no desfile. E, não se pode esquecer, claro, que no meio do caminho há um candidato do meio Villaverde: meio do caminho, meio da imprensa, meio de lá e meio de cá, meio sem votos, meio dividindo o que conquistou o Estado. Cabe lembrar que alguns se valorizam pela ausência sentida.

Só que enquanto o Rei Bebe da Situação, o povo se educa.

Por Manuela Colla

Fórum Mundial da Bicicleta pode instigar a necessidade de um Plano Cicloviário

Vai até 26 de fevereiro o primeiro Fórum Mundial da Bicicleta. O evento ocorre na cidade de Porto Alegre e é uma iniciativa de usuários de bicicleta da cidade e empresários do setor de comércio e serviço. Confira a programação clicando aqui. O evento, que marca um ano do atropelamento intencional que ocorreu contra ciclistas de Porto Alegre (25/02/11) já ocorre sob um clima de maior conscientização do poder público sobre a importância da construção de soluções sustentáveis de mobilidade urbana.

SEMA RS promoveu passeio ecociclístico

A Secretaria Estadual do Meio Ambiente do RS tem ser revelado um importante interlocutor com as pessoas que reivindicam a importância da bicicleta para a promoção da mobilidade urbana. Já na abertura da Semana Estadual do Meio Ambiente do ano passado foi realizado um passeio ecociclístico do Parque Marinha do Brasil até o Jardim Botânico. Foram mais de 6km de pedalada sob o frio de seis graus do inverno porto-alegrense. Nessa ocasião, a secretária da SEMA, Jussara Cony (PCdoB), fez questão de destacar: "Nós temos que fazer desse evento um símbolo. Porto Alegre, o Estado e País precisam ter ciclovias, sob o ponto de vista da sustentabilidade ambiental, da nossa saúde e de todo processo coletivo".

Região Metropolitana de Recife discute mobilidade urbana

O Parlamento Metropolitano, entidade formada pelos vereadores dos 14 municípios que integram a Região Metropolitana do Recife, realizou em dezembro de 2011 uma audiência pública sobre mobilidade urbana, tendo como principal objeto da discussão, a criação de ciclovias. Nessa audiência foi discutida a inserção da bicicleta no sistema de transporte, tendo como públicos-alvo, o trabalhador e o estudante. O coordenador do programa Ciclovia nas Cidades de Pernambuco Marcelo Bione, informou que a Região Metropolitana do Recife já dispõe de 73,4 km de ciclovias e ciclofaixas e assegurou que o Governo pernambucano vem tomando várias medidas de incentivo, como uma Lei de Estacionamento, o Plano Diretor Cicloviário da Região Metropolitana de Recife e a Lei Estadual de Incentivo ao uso da bicicleta.

Por um Plano Diretor Cicloviário da Região Metropolitana de Porto Alegre

A bicicleta é um meio de transporte utilizado muitas vezes como alternativa ao transporte público ou ao carro, e merece ser alvo de maior atenção do poder público municipal. Apesar de anunciar a construção de mais de 45 km de ciclovias para a Copa do Mundo de 2014, a prefeitura de Porto Alegre não têm fomentado a cosntrução de um Plano Diretor Cicloviário que pense a Região Metropolitana no seu conjunto. Uma parcela significativa da população utiliza a bicicleta como um meio de transporte para trabalhar ou estudar. Essa prática deve ser incentivada por meio de políticas públicas articuladas, que vão desde a educação ambiental até a construção de meios seguros para a circulação das bicicletas. O Fórum Mundial da Bicicleta pode ser mais um momento para instigar esse debate necessário que infelizmente a Prefeitura não têm enfrentado.


De Porto Alegre, Igor Corrêa Pereira

Cerimônia de Posse DCE Feevale

O Diretório Central dos Estudantes da Feevale convida para a cerimônia de posse de sua nova diretoria que acontecerá dia 1º de março, às 18:30, no auditório da reitoria (prédio Lilás, 4º andar).

O evento pretender reunir lideranças do movimento estudantil da Universidade, Diretórios Acadêmicos e comunidade acadêmica, além de autoridades do meio político e educacional de Novo Hamburgo e região, com o objetivo de apresentar a nova gestão do DCE, suas bandeiras de luta e pautas.

Esperamos por você!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

UNE toma a avenida no Carnaval de Porto Alegre e volta para o desfile das campeãs



A homenagem aos 75 anos da União Nacional dos Estudantes - UNE, rendeu um lindo desfile da escola de samba Imperatriz Dona Leopoldina, no Carnaval de Porto Alegre.

Com o hino "Pra não dizer que não falei de flores" de Geraldo Vandré, os mais de 1,6 mil integrantes da escola se aqueciam para abrir os desfiles e emocionar os presentes, com um samba enredo que contou toda a história da UNE, de sua criação até os dias atuais.

Com alegorias que mostravam a brasilidade, a irreverência e a combatividade do movimento estudantil, além de uma bateria nota 10 que contou com integrantes que usavam fantasias que lembravam a relação da UNE com a campanha "O Petróleo é Nosso" e a luta por 50% do Fundo Social do Pré-Sal para a Educação, o público presente foi contagiado.

O presidente da UNE, Daniel Iliescu foi destaque do carro alegórico que lembrou a retomada do terreno da entidade, na Praia do Flamengo, 132. No twitter, Iliescu afirmou: "Sem palavras pra descrever o desfile da #ImperatrizDonaLeopoldina. O público foi ao delírio com a homenagem
aos #75AnosdaUNE".

Já o coordenador geral da União Estadual dos Estudantes (UEE Livre RS), Álvaro Lottermann, desfilou na ala Marcha do Povo, que reproduziu a Passeata dos 100 mil. Segundo ele, a homenagem é justa e "inspirada na profunda relação que a UNE tem com a cultura brasileira", afirmou. Também participaram da ala diversos presidentes de DCEs e militantes do movimento estudantil.

O belo samba enredo rendeu nota 10 para a escola e a Imperatriz retorna para o desfile das escolas campeãs, que acontece neste sábado (25).

Confira abaixo vídeo do desfile, produzido pelo jornal Diário Gaúcho, em que entrevista a ex- vice presidente da UNE e deputada federal, Manuela d'Ávila.


De Porto Alegre, Tiago Morbach
Fotos: Igor Correa, Mateus Bruxel/Agência RBS

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

UNE abre carnaval de Porto Alegre

Desfile leva à avenida importantes momentos e personagens da luta estudantil brasileira

O microfone amplifica o chamado: “Avante! A nossa marcha começou! Coragem à vanguarda juvenil!”. Dessa vez as palavras de ordem convocam para uma marcha bastante especial e diferente daquelas que costumam parar as ruas do Brasil reivindicando melhores condições de vida para o povo brasileiro: é carnaval e a Imperatriz Dona Leopoldina chama a comunidade para cair no samba e brilhar na avenida.

A semelhança com a força das palavras de ordem do movimento estudantil não é um acaso: esse ano a Imperatriz Dona Leopoldina desfilará os 75 anos de história da União Nacional de Estudantes (UNE). A escola, que já foi campeã em 2010 com um samba-enredo homenageando a cantora Beth Carvalho, com seus dois mil integrantes, divididos em 16 alas, abrirá, às 23:45 da sexta-feira (17), o carnaval 2012 de Porto Alegre.

“A une tem uma história muito rica e muito forte que envolve a todos. Quando começa o samba tem gente que volta no tempo”, contou o presidente da escola, Maurício Nunes, grande responsável pela escolha e sugestão do tema. Maurício teve sua história de vida marcada pela militância estudantil. “Comecei no movimento secundarista e depois fui militar diretamente no partido”, relembrou.

Quatro carros e 16 alas resgatam a história da UNE

A escola preparou uma deliciosa viagem no tempo passando por toda a história da UNE, e, consequentemente, do Brasil. O desfile começa na década de 40, com a luta dos estudantes defendendo a ruptura do Brasil com os países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão), numa mensagem de paz à “À Mocidade do Brasil e das Américas”.

O desfile contará com quatro carros alegóricos. Destaque para o abre-alas, que trará uma imensa representação de Carmen Miranda, em analogia à brasilidade, irreverência e alegria do movimento estudantil no país, e criando um recorte da década de 40, quando a campanha dos estudantes pela paz foi realizada.

Em seguida, a bateria da escola, o coração do samba, fantasiada de “Ouro Negro”, representará a campanha o “Petróleo é nosso”, grande bandeira de luta da entidade lançada em 1947, durante o X Congresso, quando o estudante Roberto Gusmão foi eleito presidente. “No final do desfile a bateria volta para a avenida e nós estaremos representando, também, a luta dos estudantes para a destinação de 50% do Fundo Social do Pré-sal para a educação”, explicou Maurício. Hoje, a maior luta do movimento estudantil brasileiro é por mais recursos, principalmente os provenientes das riquezas naturais do país, para a educação.

A cultura brasileira terá grande destaque na avenida. O compositor e intérprete Vinícius de Morais, autor da letra do histórico hino da entidade, será lembrado pelo desfile no segundo carro alegórico. O tropicalismo, movimento musical que teve seus artistas perseguidos pela ditadura, e a bossa nova serão tema de alas subseqüentes ao carro. O CPC (Centro Popular de Cultura) também figurará entre as plumas e paetês.

Ditadura e volta à legalidade ganham forma na avenida

Nem tudo na história da UNE é alegria e irreverência. “Acredito que o terceiro carro vai gerar um grande impacto. É o carro da tirania, da ditadura. Preparamos um imenso tanque militar com um general cheio de tentáculos”, detalhou o presidente da escola. Nesse mesmo carro haverá uma representação cenográfica do prédio da UNE em chamas para relembrar o incêndio encomendado em 1964 na sede das entidades, na Praia do Flamengo 132, e posteriormente a demolição do que havia sobrado do prédio, em 1980.

Esse difícil capítulo da UNE está sendo reescrito. No dia 12 de agosto de 2008, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou um projeto de lei (PL), no Rio de Janeiro, que reconheceu a responsabilidade do Estado no incêndio e demolição da sede da UNE e da UBES (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas). A entidade recebeu uma indenização para reconstrução do prédio e também um novo projeto arquitetônico assinado Oscar Niemeyer.

O período da ilegalidade da UNE, que começou em 1964 com a Lei Suplicy de Lacerda, e a volta à legalidade, em 1985, são momentos importantes do desfile. Haverá uma ala representando a Passeata do Cem Mil, em 1968, quando centenas de estudantes, artistas e intelectuais foram às ruas no Rio de Janeiro para protestar contra a Ditadura Militar, e também uma para a heróica campanha das Diretas Já.

O destaque desse trecho do desfile ficará para o casal do mestre sala e porta bandeira. Para além da importância desse momento para a história do Brasil e do movimento estudantil, a apresentação promete emocionar. Alguns dias antes do desfile, um violento acidente de carro abalou o coração da escola: Dona Nena, vice-presidente do conselho da escola e avó da porta-bandeira, faleceu e deixou o mestre-sala, Jean Passos, hospitalizado.

“Mesmo com essa dor imensa, a Nathalie, nossa porta-bandeira, resolveu desfilar. Vamos fazer uma grande homenagem, também ao Jean à Dona Nena. Isso é mais uma demonstração da unidade e do comprometimento da escola com o enredo. A superação dela está servindo como combustível para fazer com que a gente enfrente esse momento e consiga fazer a escola vir com muita força na avenida”, afirmou Maurício.

O desfile será fechado pelo último carro alegórico, representando os estudantes brasileiros, com a participação de membros da diretoria executiva da UNE. A ala final trará a velha guarda da escola chamando a atenção para a da UNE de destinação de 10% do PIB e 50% do Fundo Social do Pré-sal para educação.

Imperatriz Dona Leopoldina entra para ganhar

Na contagem regressiva para esse grande momento, direto da quadra da escola, onde acontecia o último ensaio antes do desfile, Maurício, emocionado, deixou os preparativos de lado por alguns minutos e conversou com o site da UNE. “Estou louco para pisar nessa avenida. A escola vai passar com muita maturidade, com o regulamento embaixo do braço. Vamos conseguir fazer desse momento um momento de emoção. Vamos conseguir representar tudo. Uma relação com aquilo que é do povo. Isso é uma marca do povo brasileiro. Vamos buscar nota por nota uma condição de ganhar o carnaval”, finalizou.

Camila Hungria

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Estatuto da Juventude aprovado: "mais uma batalha vencida na guerra"

Apesar da grande conquista, UNE vê aprovação como uma “batalha vitoriosa” dentro de uma guerra

Não há duvida alguma de que a data de hoje, 15 de fevereiro de 2012, entrará para a história: o dia em que o Brasil reconheceu constitucionalmente que os jovens, de idade entre 15 e 29 anos, são atores sociais estratégicos para a transformação e melhoria do país. Essa importante conquista foi votada e aprovada por unanimidade hoje (15), na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, e se chama Estatuto da Juventude.

O estatuto é, basicamente, uma declaração de direitos e deveres dos jovens, acrescida de estrutura jurídica mínima que permite a eles discutir, formular, executar e avaliar políticas públicas de juventude, ou seja, um instrumento jurídico-político para promover os direitos da juventude.

A aprovação rápida do Estatuto da Juventude é uma das principais pautas de reivindicação da União Nacional dos Estudantes e da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas. “Estamos vivendo um capítulo histórico, foi aprovada a constitucionalidade da faixa-etária que define o jovem, o que possibilitará a criação do SNJ (Sistema Nacional de Juventude), por exemplo, um importante instrumento para criação e manutenção de um sistema de políticas públicas para juventude”, comemorou o presidente da UNE, Daniel Iliescu, presente na votação.

Acompanharam a votação a vice-presidente da UNE, Clarissa da Cunha, os diretores da entidade André Vitral, Michelle Bressan, Maria das Neves e Jonatas Mariano, além da presidente da UBES, Manuela Braga.

A partir de agora, a matéria será apreciada ainda pelas comissões de Assuntos Sociais; de Educação, Cultura e Esporte e pela de Direitos Humanos e Legislação Participativa. “Essa foi uma batalha que vencemos, mas não significa que a guerra terminou. O senador Randolfe Rodrigues (relator do projeto no Senado) fez um excelente trabalho de mediação, mas a partir de agora vamos nos mobilizar cada vez mais para pressionar pela aprovação”, garantiu Daniel.

GUERRILHA VIRTUAL DA UNE: #ESTATUTODAJUVENTUDE É 2º NOS TTS

A UNE uniu toda sua rede de estudantes pelo Brasil para uma campanha nacional, hoje, com o objetivo de mobilizar e pressionar os senadores a aprovarem imediatamente o Estatuto da Juventude, projeto de lei que tramita na Casa e deve ser votado neste mesmo dia. A juventude brasileira unida, levou a campanha ao 2º lugar dos trend topics (TTs) nacional com a hashtag #EstatutodaJuventude.

Essa é a segunda vez que mobilização virtual leva essa campanha da UNE aos TTs. Na quarta-feira passada (8), a mobilização deu certo e a hashtag #EstatutodaJuventude ficou em segundo lugar nos (TTs) Brasil do Twitter, sendo um dos assuntos mais comentados do microblog.

DIREITOS ASSEGURADOS PELO ESTATUTO

O relator do projeto no Senado, Randolfe Rodrigues estabeleceu, em seu parecer, que a carteira de identidade do estudante será expedida por instituições estudantis como a Associação Nacional de Pós-Graduandos, a União Nacional dos Estudantes e a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas, além de entidades a elas afiliadas nos estados e municípios. “

Além disso, o texto do estatuto aprovado hoje também prevê que qualquer jovem entre 15 e 29 anos que estude ou faça parte do Bolsa Família terá direito a pagar meia entrada em eventos públicos, inclusive partidas de futebol da Copa do Mundo de 2014 e competições dos Jogos Olímpicos de 2016. A meia-entrada será distribuída da seguinte forma: 40% dos ingressos para eventos financiados exclusivamente com recursos privados e 50% dos ingressos para eventos bancados com verbas públicas – tanto na área esportiva quanto na artística e cultural.

Camila Hungria/ Foto Agência Senado

Fonte: UNE

Opinião: Os desafios da UEE Livre - RS - Por Thiago Carvalho

Confira o artigo do Secretário-Geral da UEE Livre-RS sobre os principais desafios da gestão


No dia 27 de janeiro de 2012, no Fórum Social Temático, aconteceu a posse da nova direção da União Estadual dos Estudantes – Livre do Rio Grande do Sul. A UEE – Livre Dr. Juca, que nasceu em 2009, da necessidade da construção de uma entidade que estivesse presente no dia a dia dos estudantes, construindo com os mesmos as lutas do movimento estudantil e capaz de representar a pluralidade dos estudantes. Essa gestão que se inicia tem como principal desafio para o próximo período o enraizamento da entidade na base estudantil, consolidando o trabalho realizado pela gestão anterior.

A primeira gestão dessa entidade teve como desafio rearticular o movimento estudantil universitário do nosso estado. Nesses pouco mais de dois anos de gestão a entidade esteve presente em diversas lutas e debates fundamentais para os estudantes, como o debate da Assistência Estudantil, da reestruturação da UERGS, da regulamentação do ensino superior privado, realizou o 1ª Encontro de Mulheres Estudantes, o Encontro dos Estudantes do Prouni, entre outras diversas atividades. Contudo, as dificuldades de comunicação com a diversidade dos estudantes e consequentemente de mobilização ainda são grandes e aí está o outro grande desafio da gestão recém empossada.

A UEE – Livre precisa ter a capacidade de dialogar, mobilizar e representar a pluralidade dos estudantes. Para tanto, é fundamental que a entidade esteja inserida nos mais diversos debates que acometem os universitários do Rio Grande do Sul. Questões como a Assistência Estudantil que permitem a permanência do estudante na universidade até debates de Direitos Humanos, sobretudo das questões LGBT, das opressões de gênero, e de combate ao racismo. Acreditamos que a UEE – Livre deve representar o conjunto dos estudantes: desde o trabalhador que muitas vezes tem dificuldade de frequentar a universidade até o estudante acadêmico que faz pesquisa e extensão, servindo como instrumento de mobilização e de construção de lutas pelo avanço da educação e pela disputa de projeto de uma sociedade fora da lógica do capitalismo!

Acreditamos que a UEE – Livre tem o papel de contrapor a falta de representatividade da “UEE das carteirinhas”, que utiliza de um subterfúgio legal para fazer as carteirinhas escolares e utilizar o dinheiro arrecado para favorecimento de um determinado grupo político. Para contrapor a esta entidade, que reproduz os vícios da velha política, vemos a necessidade da auditoria nas contas da “UEE das carteirinhas”. Para nós transparência é igual a compromisso com os estudantes e com o movimento estudantil. Vemos na UEE – Livre uma entidade capaz de estar no dia-a-dia dos estudantes, nos CA’s, DA’s e DCE’s rearticulando o movimento gaúcho e modificando a realidade dos estudantes.

Vemos como principal bandeira a Assistência Estudantil, como a construção de casa de estudantes nas universidades públicas e privadas, o sistema de cotas, as bolsas-auxílio entre outras políticas que venham permitir que o estudante tenha condição de cursar a universidade. Vemos no fortalecimento da UERGS uma alternativa para fornecer ao estudante gaúcho uma educação pública, de qualidade e que não seja voltada para o capital e sim para a nossa sociedade.

Esperamos que essa gestão que teve início em uma grande cerimônia feita na tenda da UNE no Fórum Social Temático seja vitoriosa não só nas lutas dos estudantes gaúchos, mas que ela possa modificar a realidade conservadora das universidades gaúchas. Universidades estas que investem pouco em pesquisa e deixam de lado a extensão. Vemos como prioritária a valorização da extensão para que assim a universidade possa transpor os muros e fazer assim com que o seu conhecimento modifique de fato a sociedade.

Thiago Carvalho é Secretário-Geral da UEE Livre – RS e militante do Movimento Mudança

Agora é hora! Guerrilha virtual em defesa do estatuto da juventude

estudantes juventude

Para chamar a atenção da sociedade e pressionar os parlamentares, a União Nacional dos Estudantes (UNE) convoca para esta quarta-feira (15), às 13h, uma grande “guerrilha virtual”. O objetivo é claro: mobilizar e pressionar os senadores a aprovarem imediatamente o Estatuto da Juventude, projeto de lei que tramita na Casa e deve ser votado neste mesmo dia.

A ideia é que a juventude brasileira utilize as redes sociais como instrumento de luta, levando para todos os cantos do país a mensagem da manifestação. Na quarta-feira passada (8), a mobilização deu certo e a hashtag #EstatutodaJuventude ficou em segundo lugar nos Trendings Topics (TTs) Brasil do Twitter, sendo um dos assuntos mais comentados do microblog.

Para Daniel Iliescu, presidente da UNE, a “guerrilha virtual” é o principal instrumento de combate da juventude e pode mudar a cara do Brasil nesta quarta-feira: “A participação popular é o motor das transformações sociais. A manifestação da opinião de cada jovem pode contribuir com o andamento do processo no Senado. Por isso, é fundamental que os jovens se posicionem sobre o Estatuto da Juventude amanhã, às 13h”.

Pela aprovação do Estatuto da Juventude

É possível considerar que a categoria “juventude” é bastante nova no ideário social brasileiro. Historicamente, em nosso país, as leis referentes à popularmente chamada “fase de transição entre a infância e a idade adulta” atingiam a juventude de forma insuficiente.

Só a partir da década de 90, quando foi aprovado o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) através da Lei 8.069, essa categorização passou a ser melhor definida. No entanto, ainda assim, o jovem não ganha o referencial necessário.

O Estatuto da Juventude cumpre de maneira eficiente esta carência. A matéria que será votada nesta quarta-feira (15) é uma declaração de direitos e deveres dos jovens, acrescida de uma estrutura jurídica mínima que permita a eles discutir, formular, executar e avaliar as políticas públicas de juventude. Em outras palavras, é um instrumento jurídico-político para promover os direitos da juventude, reconhecendo que os jovens, entre 15 e 29 anos, são atores sociais estratégicos para a transformação e melhoria do Brasil.

A aprovação do Estatuto na Câmara dos Deputados, no dia 05/11/2011, foi, sem dúvida, a maior conquista do século para a juventude e um marco na história brasileira e do movimento estudantil.(Leia mais: http://bit.ly/r3WCt7)
Mas o que acontece com a votação do Estatuto?

A votação do Estatuto foi adiada várias vezes nos últimos meses no Senado e tramita hoje na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), tendo como relator o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), com voto favorável à sua aprovação.

Em novembro de 2011, por iniciativa do relator, foi realizada audiência pública pra instruir o projeto, ao qual já foram apresentadas emendas pelos senadores Aloysio Nunes Ferrreira (PSDB-SP), Clésio Andrade (PR-MG), Flexa Ribeiro (PSDB-PA) e Álvaro Dias (PSDB-PR), além de voto em separado do senador Demóstenes Torres (DEM-DO). O texto é polêmico e, desde que saiu da Câmara Federal, foi alvo de diversas emendas. A expectativa, portanto, é que nesta quarta-feira os senadores acertem os ponteiros e aprovem a proposição.

Contudo, três propostas do estatuto são foco de divergências entre os senadores: a meia-entrada em eventos culturais, de entretenimento e de lazer, o desconto de 50% nos transportes intermunicipais e interestaduais e a vinculação de, no mínimo, 30% de recursos do Fundo Nacional de Cultura (FNC) para programas destinados aos jovens.

Após a votação pela CCJ, o Estatuto da Juventude seguirá para análise das Comissões de Assuntos Sociais (CAS); de Educação, Cultura e Esporte (CE), e de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH).

Estudantes cobram agilidade

Segundo o presidente da UNE, a entidade quer entregar ainda hoje uma carta-aberta dos estudantes brasileiros à presidenta Dilma Rousseff, cobrando agilidade e compromisso na aprovação do Estatuto da Juventude. “As medidas irão impulsionar os direitos da juventude em diversos órgãos e conselhos das esferas municipais, estaduais e federais”, declarou.

O senador Randolfe Rodrigues acredita que o atual texto seja aprovado pela CCJ nessa quarta-feira. “Estamos trabalhando pelo entendimento de todos os senadores, inclusive o de Demóstenes Torres”, avaliou.

Ele ainda esclareceu que o texto que veio da Câmara foi avaliado com base no que os órgãos mundiais dizem sobre a juventude e classificam como correto para tal faixa etária. “Nós não tiramos nada da nossa cabeça. Quando estipulamos a faixa etária dos jovens de 15 a 29 anos, seguimos o que a Organização das Nações Unidas (ONU) estabelece”, explica Rodrigues, alfinetando uma das emendas propostas pelo senador Demóstenes Torres.

Fonte: EstudanteNet

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Chile: plataforma coletiva de vídeos reavivam protestos estudantis

Cidadãos apáticos e gerações perdidas são expressões que costumam fazer parte de discursos sobre os jovens que vieram ao mundo depois daqueles que saíram às ruas lá pelos anos 1960 e 1970. Mas a generalização, por sorte, não serve para descrever os protagonistas das manifestações estudantis que marcaram o ano de 2011 – e cujos desdobramentos são nossa realidade ainda hoje, já que a luta está longe de acabar.


Manifestações estudantis, como esta, em Parque Almagro, Santiago, protagonizaram o ano de 2011 no Chile

No Chile, que esteve no centro desse processo, e em países que se inspiraram no seu exemplo, como a Colômbia, as tais manifestações aconteceram com altas doses de criatividade: desfilou-se, fez-se arte na rua, buscou-se referências do passado que continuam vigentes para pensar um melhor futuro. Agora, começamos a assistir ao caminho inverso: a arte anda inspirando a causa.

Um exemplo dessa tendência é o projeto online CinEducación, lançado no fim do ano passado e ainda vigente. Através dele, cineastas reconhecidos ou cidadãos com câmeras na mão podem difundir vídeos de um a quatro minutos contendo sua visão sobre a educação, as manifestações, as repressões que elas desencadeiam etc. E não só do Chile: o convite é extensivo ao mundo inteiro, como fica claro no site, onde fica disponível todo o material enviado.

Uma das produções, chamado "Resumo dos Movimentos Estudantis no Chile":

A plataforma defende os mesmos motivos da luta estudantil: garantir educação de qualidade e gratuita para todos e invalidar os modelos governamentais latino-americanos que veem a educação como um bem de consumo e não um direito humano fundamental.

De volta a 1968

Entre os realizadores engajados no projeto está Chris Maker, hoje com 90 anos. Junto com Godard, Resnais e Garrell, Maker fez parte do combo de cineastas franceses que se mobilizou para expressar sua visão sobre o Maio de 68, lançando na época o “Cinétracts”. Entre essa iniciativa e a chilena, as diferenças são duas básicas: no primeiro caso, não participava quem não era do Cinema e, além disso, os filmes naquela época não viajavam tanto, sem o apoio da internet com suas redes sociais. Agora, o público está no centro do processo.

Também se mobilizaram, enviando seus vídeos e divulgando o projeto, alguns cineastas latino-americanos de renome, como Patricio Guzmán, Gael García Bernal, Pablo Larraín, Ignacio Agüero, Willem Dafoe e Cristián Jiménez. Do Brasil, a artista Verônica Cordeiro se uniu à empreitada.

Longa vida

Segundo os responsáveis pela plataforma, organizada pelo Overlap (Laboratório de Antropologia Audiovisual) com distintos apoios e patrocínios, o plano é converter alguns dos vídeos recebidos (os selecionados) em um longa-metragem documental que será lançado em 2012 em festivais, salas de cinema e em DVD.

Quem sabe assim, com esforços de debate amplo e coletivo, o nome Cineducación só faça sentido para a soma de Cine e Educación– e não nos recorde uma histórica condição de “cineducación”.

Fonte: Ópera


Estatuto da Juventude: UJS e entidades estudantis preparam tuitaço para quarta

twitasso juventude

Com o objetivo de mobilizar e pressionar os parlamentares a aprovarem imediatamente o Estatuto da Juventude, a União da Juventude Socialista (UJS), União Nacional dos Estudantes (UNE) e União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) convocam todos os estudantes e a sociedade civil a participarem do tuitaço #EstatutodaJuventude, a partir das 13h, quando será votado o Estatuto da Juventude.


Mesmo com a pressão dos estudantes, a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) decidiu adiar para quarta-feira (15) a discussão e a votação do projeto de lei da Câmara (PLC98/11) que institui o Estatuto da Juventude. A matéria foi a segunda pauta avaliada nesta que foi a primeira sessão da CCJ desde que se iniciou o ano.

Apesar de o presidente da comissão, senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), ressaltar o compromisso de votar a matéria – remanescente de 2011 – ainda nesta quarta-feira (8), manobras de alguns senadores fizeram com que o Plenário da CCJ acatasse a sugestão de adiamento. O pedido foi apresentado pelo senador Demóstenes Torres (DEM-GO), autor do voto em separado do Estatuto.

Ao contrário do senador, que só vai apresentar seu voto em separado na próxima semana, Randolfe Rodrigues (PSOL-PA), relator do projeto de lei, já aproveitou a reunião desta quarta-feira (8) para anunciar a rejeição a quatro emendas – duas do senador Álvaro Dias (PSDB-PR) e duas do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) – e as duas novas subemendas de Aloysio Nunes.

Temos pressa

Para quem pensa que o assunto pode postergar ainda mais, o presidente da UNE, Daniel Iliescu, é enfático: “Da próxima quarta-feira não passa. O movimento estudantil está mobilizado para aprovar a matéria na próxima semana, mesmo com a apresentação das emendas de Demóstenes, que visam obstruir os direitos e avanços das políticas de juventude”.

A decisão de Randolfe em já apresentar as rejeições das emendas foi tomada justamente para não atrasar mais a votação do projeto na CCJ. “Randolfe tem pressa pois sabe da importância que tem a aprovação desse projeto. Aprovado, está confirmado a constitucionalidade do Estatuto, consolidando avanços do movimento estudantil desde a vitória da PEC da Juventude. Esse é um passo decisivo para a implementação de políticas públicas para os jovens, mas sabemos que ainda há muita batalha”, destacou Iliescu.

Após a votação pela CCJ, o Estatuto da Juventude seguirá para análise das Comissões de Assuntos Sociais (CAS); de Educação, Cultura e Esporte (CE), e de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH).

Fonte: Redação com UNE

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Caxias: Nota de Repúdio à retirada da meia passagem estudantil e gratuidade dos idosos


A população caxiense foi surpreendida ao saber que a primeira sessão do ano da Câmara dos Vereadores abordaria a mudança na lei orgânica referente ao passe livre para os idosos e o meio-passe para os estudantes. A proposta é extinguir estes direitos.


Ainda que os vereadores da ala do governo digam que desta forma a passagem ficará mais barata para todos, a realidade é que se trata de uma desculpa esfarrapada para tirar direitos. Os trabalhadores e estudantes que utilizam o transporte coletivo para ir ao trabalho ou a escola enfrentam diariamente ônibus lotados, avenidas esburacadas e transito engarrafado, sem falar paradões lotados e constantes assaltos, que vitimam a população diariamente.


Durante a campanha eleitoral, para ganhar os votos do povo, estes mesmos vereadores da base de governo municipal se comprometeram em garantir melhorias no setor de transporte público e até baratear o valor da passagem de ônibus, mas mostram a sua verdadeira face ao trair o povo quando se colocam ao lado dos empresários do setor para tirar direitos da população.


Será que estes vereadores devem favores a estas pessoas? Será que fazem leis para atender aos interesses dos cidadãos ou para atender aos seus interesses dos empresários da VISATE? Estas são perguntas que não querem calar. As melhorias não são cumpridas, todos podem confirmar isso.


A VISATE tem um dos piores sistemas de transporte público do estado, poucas possibilidades de integração, pouca frota noturna e para bairros mais afastados. O monopólio serve exclusivamente pra encher os bolsos de um grupo de empresários, que nada investem na melhoria do transporte publico caxiense.


A realidade da juventude caxiense é do estudante que trabalha, ganha pouco, muitas vezes tem de pagar o estudo, vestuário, alimentação e ainda por cima é onerado com o valor do transporte público.


Tirar o direito à meia-passagem dos estudantes e ao passe livre dos idosos é restringir o princípio básico de ir e vir de grande parte da população de Caxias do Sul.


Enquanto muitas cidades brasileiras apresentam avanços no transporte coletivo, como por exemplo, com o direito ao passe livre estudantil, um grupo de vereadores, junto com a VISATE, pretende levar nossa cidade a mais um retrocesso. Não é possível chegar a avanço nenhum retrocedendo.


A maior prova de que os estudantes não se conformam com a retirada de seus direitos e com toda a exploração sofrida diariamente é estar presente dia 14 de fevereiro na câmara dos vereadores, às 17 horas, para protestar não somente contra a retirada da meia-passagem, como também para reafirmar a luta pelo passe livre estudantil.


Faça parte desta luta para garantir os nossos direitos!



Direção Municipal da União da Juventude Socialista de Caxias do Sul.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Fonseca: "Um projeto nacional é absolutamente necessário para o país"


"Um projeto significa colocar a opção política na frente das decisões econômicas, ter consciência quanto a um rumo que se quer tomar e subordinar o mercado e as decisões privadas a essas diretrizes".


O economista, professor e pesquisador Pedro Cezar Dutra Fonseca têm um currículo invejável. Ex-vice-reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) entre 2004 e 2008, foi o ganhador do prêmio Pesquisador Gaúcho 2011, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (FAPERGS). Fonseca é considerado Pesquisador Destaque na área de Economia e Administração. Em janeiro deste ano, aceitou gentilmente palestrar sobre a crise do capitalismo num debate proposto pela Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) realizado em Porto Alegre/RS no acampamento da juventude do Fórum Social Temático. Nesta ocasião, concedeu entrevista exclusiva ao Portal da CTB, na qual afirma que a onda liberal de desregulamentação bancária e aumento de gastos com guerras dos Estados Unidos e países ricos da Europa nos anos 80 e 90 contribuiu para o agravamento da crise do capitalismo, e declara a necessidade de um projeto nacional que coloque "a opção política na frente das decisões econômicas". Leia a entrevista na íntegra aqui:
Por Igor Corrêa Pereira*



Pergunta: O senhor citou numa entrevista o pensamento de Celso Furtado de que a política econômica não pode ter sua estabilização como um fim em si mesmo, sendo o fim último a melhoria do bem-estar, o que se consegue com mais renda e emprego. Essa afirmação tem implícita a disputa de concepção entre o neliberalismo e o chamado novo desenvolvimentismo, sendo Furtado um teórico associado a segunda concepção. Na sua opinião, a atual crise do capitalismo é uma consequência da opção política dos países centrais do sistema pela doutrina neoliberal?

Pedro Fonseca: As crises cíclicas constituem característica inerente das economias capitalistas. A crise econômica é resultado da opção política dos governos dos países centrais, mas apenas em parte. De um lado, é claro que a onda liberal das décadas de 1980 e 1990 aumentou a desregulamentação do sistema bancário em países como Estados Unidos e Reino Unido e isso contribuiu para a majoração da crise a partir de 2008. Também o gasto público aumentou, especialmente na área de segurança (guerras) a partir de Reagan, ao mesmo tempo em que se cortava impostos, especialmente dos mais ricos. Os governos republicanos tentaram, então, manter o equilíbrio orçamentário através do corte dos gastos sociais, mas esta medida não foi suficiente para cobrir o volume dos gastos de guerra. Mas há razões que vão além das simples opções políticas de um ou outro governo, pois são estruturais e decorrem da própria lógica do sistema, ou seja, da expansão cada vez maior das transações financeiras e do chamado “capital fictício”. De um lado, a dificuldade de os governos e os bancos centrais criarem legislações nacionais e internacionais que estabeleçam marco regulatório à mobilidade de capitais. Por outro, a emergência da China não só como concorrente na produção de itens industriais mas como financiadora e credora de países centrais, como os Estados Unidos. Estes conseguiram manter um alto nível de consumo via endividamento, que obviamente teria limite. A situação a qual chegamos é inusitada: a nação hegemônica passou de credora e exportadora de capitais para devedora, possui balanço de pagamentos deficitário e ainda emite a moeda reconhecida como das trocas internacionais (o dólar). E não tem força suficiente para fazer com que a China reverta a política de desvalorizar sua moeda.

Pergunta: As centrais sindicais estão realizando atos pela redução de juros como forma de geração de mais empregos, e reivindicando em favor de um projeto nacional de desenvolvimento com valorização do trabalho. Por muito tempo, a ideia do projeto nacional foi considerada coisa do passado. Com a crise do modelo capitalista em nível global e a notável emergência do Brasil e outros países do Sul do mundo, a ideia do projeto nacional pode voltar a tona como uma possibilidade de superação da crise? Em caso afirmativo, seria este Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento aos moldes do que Goulart e mesmo os militares implantaram no Brasil?

Pedro Fonseca: Entendo que um projeto nacional e absolutamente necessário para o país. Ele significa a busca de um consenso, por mínimo que seja, sobre o que denominamos “longo prazo”: para onde queremos ir, como o Brasil se inserirá em mundo cada vez mais competitivo, em que setores industriais e agrícolas iremos colocar as fichas para uma aposta no futuro. Um projeto significa colocar a opção política na frente das decisões econômicas, ter consciência quanto a um rumo que se quer tomar e subordinar o mercado e as decisões privadas a essas diretrizes. Projeto não significa abolir o mercado como apregoa o pensamento neoliberal, mas delimitar seu espaço, ou seja, fazer com que o público predomine sobre o privado. Mas claro que um projeto nacional hoje deve ser diferente da época de Goulart ou dos governos militares. Hoje o Brasil já é uma nação industrializada, a economia mais internacionalizada, a agricultura com liderança mundial em vários segmentos. O projeto tem de ser outro, o que não muda é a necessidade de se ter um projeto. Por exemplo: a opção do Brasil de ser exportador de commodities para atender a demanda chinesa é algo que deve ser um modelo para o desenvolvimento futuro, ou uma situação que sem dúvida deve ser aproveitada, mas sem correr o risco da desindustrialização? Há sentido em se comprar calçados asiáticos e fechar as fábricas do vale do Sinos? Como sustentar o crescimento de amplas faixas de população que saem da linha da pobreza e passam a demandar mais alimentos, vestuário, transportes, educação, segurança? Que setores sustentarão o nível de emprego em uma sociedade com intenso progresso tecnológico e com conseqüente liberação de mão de obra? Há questões de vulto a serem enfrentadas e respondidas; um projeto tenta concatenar e estabelecer prioridades e prazos. Se a sociedade não fizer isso de forma organizada e politizada, as respostas virão de qualquer forma – e, na maioria das vezes, de forma trágica, aumentando as desigualdades e os problemas econômicos e sociais.


*Igor Corrêa Pereira é blogueiro, técnico da UFRGS e membro do Coletivo de Juventude da CTB/RS.
Foto de: Maria Carolina Ouriques de Bittencourt