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domingo, 8 de janeiro de 2012

Rio Grande: Os motivos da indignação

Há dias jovens da cidade de Rio Grande se mobilizam contra o aumento das passagens.

GURIZADA, SEGUINTE. Nesta semana, a cidade do Rio Grande presenciou momentos de indignação e revolta da população, em virtude do anúncio do reajuste na tarifa do trasporte coletivo na cidade. De fato, o aumento previsto de R$ 0.30 centavos, caso seja homologado pelo prefeito, vai pesar, e muito, nos apertados orçamentos das famílias papareias. Mas, mesmo que o valor do mesmo não seja este, qualquer reajuste que aconteça na tarifa é injustificado. E tenho três razões simples para acreditar nisso.


1ª - A Integração do Sistema de Trasporte Coletivo: A implantação do sistema de trasporte integrado reduziu drasticamente o número de linhas de ônibus na cidade, e as que permaneceram tiveram seus itinerários encurtados. Com isso, a frota de ônibus circulando ficou menor e o custo de operação com os carros restantes em circulação também diminuiu. Por consequência, o gasto com o transporte público ficou infinitamente menor, e isto deveria acarretar, de maneira lógica, na redução da tarifa. Mas o que presenciamos, porém, é o segundo reajuste no preço da passagem desde o Sistema Integrado passou a vigorar na cidade

2º - A inflação: Os preços dos insumos ao trasporte (gasolina, pneus...) subiram este ano, de acordo com o IGP-M, 6.55%. Porém, com aumento anunciado, a passagem subiria 12.77%, sendo que o reajuste solicitado pelas empresas foi de 27.65%! Visto que a integração reduziu custos, um aumento da tarifa ACIMA da inflação torna-se mais irracional ainda.

3º Os gastos: Rio Grande é uma cidade plana, ou seja, os gastos com manutenção dos ônibus são menores, consomem menos combustível, diferente da maioria das cidades do estado. Os estudantes na cidade tem seu passe escolar restrito, diferente da maioria das cidades do estado, onde o passe escolar é de livre uso. Os idosos em Rio Grande só se beneficiam da gratuidade a partir dos 65, diferente da maioria das cidades do estado, onde a gratuidade vale a partir dos 60. Tudo isso com a desculpa de manter o preço da tarifa, mas então por que Rio Grande terá uma das passagens mais caras do PAÍS com esse reajuste?


Muitas perguntas, mas apenas uma certeza. Um reajuste como esse servirá apenas para engordar os cofres das empresas de trasporte na cidade. Daí levanto outro questionamento: À quem serve, em ano eleitoral, que estas empresas estejam com os cofres cheios? Estas empresas financiam as campanhas eleitorais de quem? Que fique para reflexão...


Nessa história toda, o que se tira de bom é a indignação do povo rio-grandino, que se mostra revoltado com tamanha incoerência, e cala àqueles que dizem que os papareias são acomodados. O povo está em luta! Combatendo este aumento abusivo! Mas que essa luta não termine agora! E que seu resultado final ocorra em outubro, derrubando àqueles que governam para empresas, ao invés de governar para o povo!


Por Fellipe Belasquem, presidente da URES e membro da direção estadual da UJS

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

'NYT' cita Dilma e Manuela para destacar mulheres na política

A Deputada federal pelo Rio Grande do Sul, Manuela D’Avila (PCdoB) foi destaque no jornal americano The New York Times. Em entrevista publicada ontem, a edição online do periódico abordou o crescimento do papel das mulheres na política brasileira, especialmente após a eleição de Dilma Rousseff, a primeira mulher a ocupar a Presidência da República.

O jornal cita que Manuela vai disputar a prefeitura da capital gaúcha em 2012, assim como pelo menos outras 46 mulheres em 26 Estados – número considerado um recorde de candidatas no histórico de eleições no País. De acordo com a publicação, isso se deve em grande parte à popularidade da presidente, que embora tenha presenciado a queda de diversos ministros após denúncias de corrupção, mantém elevado índice de aprovação.

“Ela tem uma atitude diferente, mostra que é uma mulher de coragem”, disse a cientista política Maria do Socorro Sousa Braga, da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar). “Isso está ajudando as mulheres a ir em busca do que elas querem, a se tornarem autônomas, gostarem da disputa”, afirmou a especialista. No final do primeiro ano de governo, Dilma alcançou uma aprovação de 72% dos brasileiros.

Com a eleição de Dilma, vimos a confiança dos eleitores nas mulheres”, afirmou Manuela D’Avila. “Com a decisão de Dilma de levar tantas mulheres para o seu governo, ela mostra mais uma vez que nós temos capacidade de governar”, aponta a parlamentar.

A publicação aponta ainda que a presidente, chamada de uma “ex-rebelde marxista”, não tem a mesma popularidade de seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, mas que seu foco no trabalho está conseguindo passar a imagem da eficiência para a população. De acordo com o jornal, esse apoio popular pode ajudar candidatas como Manuela D’Avila a conseguir sucesso nas urnas. “Há grande incentivo por parte do governo Dilma de estimular a participação das mulheres nas eleições”, disse Braga.

O jornal cita que o número de prefeitas no Brasil passou de 317 em 2000 para 405 em 2004 e para 504 em 2008, mas isso corresponde a apenas 9% do total. Se comparado com outros países, o Brasil ainda precisa avançar muito na participação feminina na política, diz o The New York Times.

Fonte: Terra

Foto: Agência Câmara

Mateus Fiorentini fala de sua experiência em Cuba

Em abril deste ano, Mateus Fiorentini, 26 anos, membro do PCdoB, desembarcou em Havana, a capital da ilha mais controversa do Caribe. O estudante de história, militante político e ativista estudantil foi o escolhido para representar o Brasil na Organização Continental Latinoamericana e Caribenha de Estudantes – OCLAE, que tem sede em Cuba.


Acervo Pessoal
matheus fiorentini

“A UNE participa já faz alguns anos da entidade e desde 1999 ocupa uma vaga do secretariado executivo da OCLAE”. Esta vaga é ocupada atualmente pelo estudante de história que é um dos quatro secretários executivos da organização, junto a representantes de entidades estudantis de outros três países – Cuba, Nicarágua e Equador.

Natural de Passo Fundo e envolvido no movimento estudantil desde 1992, Mateus conta que a curiosidade por conhecer o país governado por Fidel Castro até 2008, o acompanhava há algum tempo. “Sempre li muito sobre a história de Cuba, livros, artigos, e também assisti muitos filmes cubanos. Sempre foi uma referência, então cair lá foi uma experiência muito boa”. No início desta semana, o hóspede cubano esteve em Passo Fundo em visita aos familiares, oportunidade em que foi entrevistado por O Nacional. Após as férias, Mateus retorna à ilha, onde continua a residir pelos próximos dois anos.

A OCLAE

Na OCLAE são representadas 32 organizações de 23 países da área de abrangência. Mateus explica que a função da entidade é propor políticas públicas e articular causas de estudantes secundaristas, de graduação e pós-graduação das nações participantes. “Os estudantes brasileiros hoje pautam a aplicação de 10% do PIB, na Argentina eles pautam 7% do PIB e no Uruguai eles querem 6%. Então o papel da OCLAE é ver como essas reivindicações em diferentes países se unificam, embora essas lutas já sejam naturalmente linkadas por serem referências uma às outras”, exemplifica.

Primeiras impressões

Ao se deparar com Cuba, o secretário executivo da OCLAE afirma que não houve um choque cultural apesar das diferenças, e comenta equívocos que, em sua opinião, alguns brasileiros incorrem. “Acho que muita gente que vai pra lá comete dois erros. Um é romantizar, achar que existe o paraíso na terra porque não existe. Com isso muita gente que vai pra lá se impacta com a realidade. Outro é que tem gente que acha que vai encontrar um Brasil, isso não existe. Há coisas que são muito diferentes, assim como há coisas próximas”.

Para Mateus uma das marcas que mais aproximam a terra tupiniquim à ilha de Fidel é a Santeria. “Uma espécie de Candomblé onde são cultuados muitos orixás presentes nas religiões afro-brasileiras. Eles têm uma influência Iorubá muito grande na cultura deles, assim como no Brasil. Isso causa uma proximidade, existem semelhança entre a cultura cubana e a brasileira”. Tanto pela religiosidade, como cultura musical, o secretário da OCLAE também considera que Havana parece um pouco Salvador.
Outro fato que chamou atenção do passo-fundense é a ausência de moradores de rua. “Não se vê pessoas dormindo na rua. As únicas que eventualmente se vê, são pessoas que ‘tomaram todas’ e não conseguiram voltar pra casa, porque todos têm casa”. A baixa criminalidade também causa certo estranhamento para quem está acostumado com a realidade brasileira. “A gente chega lá com a cultura daqui, acostumado a andar na rua se cuidando. Lá as pessoas caminham de madrugada na rua com muita tranquilidade”.

Como o governo subsidia quase tudo e não há a mesma disponibilidade de produtos das economias capitalistas, a relação entre trabalho e sobrevivência tem características próprias. “O ritmo (de vida) deles é muito diferente. Uma sociedade como a nossa impõe um ritmo meio frenético, lá não. Tanto que muita gente sai de Cuba, mas quer voltar porque não suporta as condições de trabalho. São pessoas que vão para outros países e tem que trabalhar 14 horas, sendo que em Cuba a jornada de trabalho é de cerca de seis horas diárias”.

O embargo

Desde 1962 os Estados Unidos (EUA) impõe a Cuba embargo econômico, comercial e financeiro. Com isso o acesso a diversos produtos fica restrito, exemplo é a lei norte-americana que proíbe o comércio com a ilha de qualquer artigo com 10% ou mais de tecnologia americana. “O embargo impacta objetivamente na vida das pessoas, são alimentos que eles têm que comprar de fora, por intermediários e que chegam custando três vezes o valor”, conta.

Para amenizar o impacto da restrição comercial, Mateus conta que (a partir do fim da União Soviética - URSS, de quem eles eram dependentes) existe um importante investimento em pesquisas científicas. Além disso, o bloqueio também teria aguçado a criatividade cubana. Para o líder estudantil uma das frases mais presentes no vocabulário da ilha é “o que a gente não tem aqui, a gente inventa”.

Liberdade e poder

Na opinião de Mateus não existe repressão ao que se fala, mesmo que contrariando o regime. “O único tipo de repreensão que se pode sofrer é caso alguém fale mal do Fidel e esteja por perto um fidelista muito doente que resolva te bater. Mas até a oposição ao regime faz passeata com escolta da polícia. Se existe algum tipo de repreensão vem do próprio povo, mas eles mesmos fazem mil críticas com a maior tranquilidade. Assim como governantes, militantes, não militantes, trabalhadores, todo mundo faz porque tem problema. O Fidel sempre disse uma coisa: a revolução é não se acomodar jamais”.
A impressão do jovem em relação ao líder revolucionário também é diferente da imagem de um ditador. “Contradizendo o que muita gente diz, o Fidel não cultua a própria imagem. Se vê muito pouco a imagem dele na rua. O povo idolatra ele, tem retratos dentro de casa, mas nos espaços públicos é muito raro”, avalia

Mudança?

“Essas mudanças que estão acontecendo agora fazem parte de um debate que eles iniciaram nos anos 1990 ainda, logo que caiu a URSS. Porque a dependência dos soviéticos era muito grande, eles mesmos dizem que o que estão fazendo é ‘recubanizar’ a revolução”. Para Mateus os cubanos perceberam que era preciso renovar o modelo que estava sendo construído porque o mundo já não era mais o mesmo. Ele considera que a busca atual é por dinamizar a economia. “Há uma discussão de que o público não necessariamente quer dizer estatal, na URSS tudo era estatal e durante muito tempo e ainda aqui, quando a gente pensa em algo público, pensa como sendo do Estado”, explica dando como exemplo as cooperativas.

Mesmo assim, o membro da OCLAE acredita que as mudanças não significam o fim do sistema socialista na ilha. “Eu não diria que é uma abertura, mas neste processo eles vão fazer algo muito parecido com o que fez a China, por exemplo, quanto à entrada de capital não estatal”.

O jeitinho cubano

“O que tem de mais admirável acho que é a simplicidade, a alegria deles. A criatividade dos cubanos é inacreditável”, avalia. Mateus conta que Cadillacs com mais de 50 anos, são consertados e postos em pleno funcionamento. Um dos motores das soluções, muitas vezes inusitadas, inventadas pelos cubanos é o embargo imposto pelos EUA. “Vi uma pessoa que precisa de um colete de coluna que não se faz em Cuba e até chegar o problema dela estaria muito agravado. Pra resolver, fizeram com cano de PVC e papelão um colete”, relata.

Matéria publicada originalmente no jornal O Nacional

CTB organiza debate para o Forum Social Temático 2012

Dia 25/01/12 o Parque Harmonia em Porto Alegre/RS será palco de um debate urgente sobre as alternativas globais a crise do capitalismo que está virando o mundo de cabeça para baixo.

Nos dias 24 a 29 de janeiro de 2012 ocorre na Região Metropolitana de Porto Alegre o Fórum Social Temático 2012. A edição deste ano do Fórum terá como eixo de debate a crise capitalista. Nada mais apropriado.

Não é exagero dizer que o ano de 2011 foi marcado por uma reviravolta mundial. Os países do Norte do mundo, as grandes economias capitalistas da América, Europa e Japão vivem uma das maiores crises econômicas da história, enquanto que os países do Sul, da América Latina e Ásia, destacam-se como potências emergentes. “O mundo virou de cabeça para baixo”, alardeia a Revista Isto É de 28 de dezembro de 2011. E com razão. A célebre frase do teórico alemão do século XIX Karl Marx ganha uma atualidade sem precedente: de repente, “tudo que é sólido, se desmancha no ar”.

A diferença entre Brasil e países do Norte não é obra do acaso

Os sólidos dogmas neoliberais, a firme convicção no capital rentista, está indo por água abaixo.

Enquanto a Europa precisa socorrer seus bancos com centenas de bilhões de dólares e fecha milhões de postos de trabalho e os Estados Unidos por muito pouco não se torna um país devedor, o Brasil ascende a condição de sexta maior economia do mundo gerando empregos e atraindo mão de obra internacional. A diferença não é obra do acaso. O Brasil de Lula e agora de Dilma adotou medidas que contrariaram a cartilha do FMI: teve a coragem de reduzir a inflação baixando juros e investindo no setor produtivo. Teve a coragem de recolocar o Estado como indutor do desenvolvimento, uma medida considerada até bem pouco tempo uma “blasfêmia”. Graças a decisões corajosas e que não seguiram a doutrina neoliberal, o país surfou na onda da crise mundial aproveitando a oportunidade para se destacar.

CTB propõe o debate sobre a alternativa ao capitalismo em crise
Nunca um debate sobre os rumos do planeta foi tão necessário. Quando o Fórum Social Mundial foi criado em 2001, sob o lema de que “Um outro mundo é possível”, para muitos seria impensável que uma década depois o lema mais apropriado talvez seja “Um outro Mundo Acontece e é necessário”. O neoliberalismo é uma receita falida. Isto o comprovam os milhões de desempregados e desabrigados dos Estados Unidos e Europa, que vão às ruas protestar contra os efeitos de um modelo de sociedade que está em crise. Mas qual é a alternativa? Os países emergentes do Sul estão apontando caminhos. E justamente na capital onde o FSM surgiu, que é a cidade de Porto Alegre, mais de um década depois do surgimento do Fórum, se reúnem novamente centenas de milhares de pessoas para debater alternativas.

Dentro desse rico momento em que o mundo está se repensando, convido tod@s para o Parque Harmonia na cidade de Porto Alegre/RS. Nele acontecerá o Parque Intercontinental da Juventude. Não poderia haver palco mais apropriado para debatermos a crise do sistema capitalista. Qual o caminho? Qual o projeto de Nação que pode superar a crise? O capitalismo não se destrói por si mesmo. Se não for confrontado por alternativas distintas, que abram um novo ciclo político e econômico, que leve a rupturas do sistema, ele encontra sempre saídas, provocando maiores desastres econômicos, sociais e políticos, para prosseguir com seu processo de expansão. No dia 25/01, este será o debate promovido pela Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB). Precisamos participar da construção de alternativas a este mundo que está ruindo e dando lugar a outro que já acontece mas ainda dá seus primeiros passos. Nada garante que os rumos tomados serão os melhores par todos. Depende da participação de cada um a construção de um outro mundo possível e necessário.

Leia ainda:
- Sítio do Fórum Social Temático 2012
- Abertas inscrições para o Acampamento da Juventude do Fórum Social Temático 2012

Por Igor Corrêa Pereira, do Coletivo de Juventude da CTB

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Rio Grande: Presente da prefeitura para 2012





Hoje o Jornal Agora noticiou que as empresas de transporte coletivo de nossa cidade pediram um aumento na tarifa de ônibus para R$3,00 . O conselho municipal de transporte aprovou o valor de R$ 2,65.
Jogada política. O conselho e a prefeitura aprovam um valor menor do que o supostamente pedido pelas empresas. Valor que mesmo sendo menor é extremamente abusivo frente ao péssimo serviço prestado.
Gurizada, mais uma vez é hora de se mobilizar! Vamos primeiramente mostrar nas redes sociais para o senhoR Fabio Branco que se ele sancionar esse aumento Rio Grande para!
Isso mesmo! Não podemos mais aguentar esse cartel!


SE A PASSAGEM AUMENTAR, RIO GRANDE VAI PARAR!
VAMOS ÀS RUAS!



Por Daniele Gautério, membro da direção estadual da UJS.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Presidente da UNE faz balanço e aponta os desafios de 2012

Segundo o presidente da UNE, Daniel Iliescu, que tomou posse em julho deste ano, os jovens da América Latina vivem a sua melhor fase: “O movimento estudantil está mais forte e amadurecido do que nunca. E isso não vale apenas para o Brasil”, declara nesta entrevista de balanço, previsões e perspectivas para 2012.


Foto: UNE
Presidente da UNE faz balanço e aponta os desafios de 2012

Daniel define 2011 como o "ano do manifestante".

O ano de 2011 foi do “manifestante”, aquele indivíduo, homem ou mulher, que resolveu ocupar o espaço público para protestar, derrubar regimes, denunciar a falência do sistema econômico ou garantir mais direitos para a população.

Esse manifestante, em grande número jovem, multiplicou-se aos milhões em episódios como a mobilização estudantil no Chile, em defesa da educação pública, e, no Brasil, com as grandes marchas durante o ano e a luta pelos 10% do PIB investidos no ensino do país.

No ano que vem a UNE completa 75 anos, três quartos de século, a UNE segue sendo simultaneamente o movimento social mais antigo e mais renovado do Brasil, sempre acompanhando as demandas de cada geração.

Para Iliescu, a identidade do movimento atualmente tem a ver com a sua diversidade: “Temos cada vez mais grupos de estudantes atuando em movimentos de cultura, de meio ambiente, associações de bairro, ONGs ligadas a várias temáticas e isso traz para o movimento estudantil e para a UNE uma riqueza muito interessante”, afirma.

O presidente da UNE ainda comenta a relação da entidade com o governo Dilma Rousseff, o cenário de crise econômica internacional e a mobilização em torno do Plano Nacional de Educação (PNE). Confira abaixo a íntegra da conversa com o carioca que assumiu a direção da entidade há pouco mais de seis meses.

Você assumiu a UNE em julho de 2011, no começo da segunda décado do século 21. Qual é a cara do movimento estudantil nos tempos de hoje?

Com certeza, cada geração carrega sua marca, sua identidade, e eu diria que, no século 21, a grande marca da juventude brasileira é a diversidade. Temos cada vez mais grupos de estudantes atuando em movimentos de cultura, de meio ambiente, associações de bairro, ONGs ligadas a várias temáticas e isso traz para o movimento estudantil e para a UNE uma riqueza interessantíssima. Por outro lado, há algo que não se altera. Mesmo em 1968 ou em 2011, os jovens tem uma sede incontrolável por mudar a sua realidade, estão dispostos a fazer a diferença e contribuir com algo. Isso pôde ser comprovado no 52º Congresso da UNE, que aconteceu este ano e foi o mais participativo da história. Na etapa preparatória nos estados, o Congresso reuniu os votos de mais de 1,6 milhão de alunos de universidades públicas e particulares. Houve, no total, votação em 97% das universidades de todo o país. O movimento estudantil está mais forte e amadurecido do que nunca. E isso não vale apenas para o Brasil, mas para toda a América Latina, tenha-se o exemplo das manifestações dos estudantes do Chile pela educação pública do seu país, a quem levamos esse ano a nossa solidariedade, recebendo também a líder Camila Vallejo em nossas manifestações. Os jovens da América Latina estão em sua melhor fase.

O que foi mais marcante para a UNE em 2011?

Foi um ano movimentado, que já começou com a 7ª Bienal, no Rio, durante o mês de janeiro, reunindo milhares de estudantes do Brasil e do exterior em um festival de cultura que teve como tema o samba. Pouco antes disso, a UNE realizou, também no Rio, um dos seus maiores Coneb's [Conselho Nacional de Entidades de Base], com cerca de 5 mil representantes de DAs e CAs de todo o Brasil. Em maio, foi a vez do 59º Coneg [Conselho Nacional de Entidades Gerais] na cidade de São Paulo. Saímos do 52º Congresso da UNE, em Goiânia, engatilhados em uma mobilização enorme pelos 10% do PIB e 50% do fundo social do Pré-Sal para a educação, que se tornou uma jornada de lutas nacional, o “Agosto Verde e Amarelo”. Essa luta se intensificou no final do ano com o #OcupeBrasília, criamos coragem e acampamos de vez na porta do Congresso Nacional, em um movimento de pressão que rendeu a aprovação parcial pelo senado dos 50% do fundo social do Pré-Sal para a educação. Entre outros pontos, eu destacaria a realização do 4º Encontro de Mulheres da UNE, do III Encontro de Negros, Negras e Cotistas da UNE, e a nossa grande participação no Congresso da Oclae [Organização Latino Americana e Caribenha dos Estudantes] no Uruguai. Tivemos a aprovação do Estatuto da Juventude, uma iniciativa inédita que valoriza essa que é a parcela mais estratégica da população brasileira e a realização da 2ª Conferência Nacional de Juventude. No campo da política, tivemos acontecimentos muito importantes, como a decisão do STF que reconheceu a união entre homosexuais e a aprovação da Comissão da Verdade, que pode resgatar o passado negligenciado de muitos que perderam suas vidas na ditadura miliar, entre eles estudantes.

Você assumiu também no primeiro ano de mandato da presidente Dilma Rousseff. Qual a avaliação e a relação da UNE com o atual governo federal?

Mesmo sendo apenas o primeiro ano da presidenta Dilma, conseguimos tirar algumas conclusões sobre o seu governo. Achamos válida a sua postura de manter o diálogo com os movimentos sociais, escutar as suas reivindicações, como aquela que fizemos em Brasília, no dia 31 de agosto, em um protesto com 12 mil estudantes em defesa de mais verbas para a educação. Porém, não estamos satisfeitos ainda com atual disposição de prioridades do governo. O orçamento da União destina, todo ano, cerca de 3% para a educação e cerca de 50% para pagar a dívida pública e remunerar o capital financeiro. O governo se apresenta com uma tônica importante, que é eliminar a miséria, reduzir essa desigualdade social que ainda vigora no país, mas, na nossa opinião, esse processo não será possível sem maiores investimentos na escola pública, no salário dos professores, em todos os níveis da educação. Também não acabaremos com a miséria com a permanência da atual política econômica, que impede o pleno desenvolvimento do Brasil. Medidas mais ousadas precisam ser tomadas nessa área para o Brasil avançar e se desenvolver. Isso acontecerá, somente na base da pressão dos movimentos por mudanças profundas na política econômica, fiscal, cambial e monetária do Brasil. Ainda aguardamos esses avanços e vamos protestar muito por eles.

A revista norte-americana Time, que tradicionalmente escolhe a personalidade do ano, escolheu desta vez o “manifestante”, um personagem anônimo representando todos os homens e mulheres que participaram de varios grandes protestos pelo mundo em 2011. Qual a sua avaliação sobre esse fenômeno?

Isso é muito curioso porque, durante alguns anos, falou-se no fim das utopias, dos sonhos, no fim da história, todas essas ideias de que a humanidade não teria novas revoluções populares, que isso era coisa dos livros, do passado. O ano de 2011 prova o contrário, demonstra que a força da coletividade é ainda a maior de todas, está muito além do poder econômico, das ditaduras, dos sistemas políticos. A história da UNE e do movimento estudantil no Brasil revela isso. Quantas “primaveras” os jovens desse país já fizeram para enfrentar a ditadura, conquistar as eleições diretas, e agora estamos fazendo mais uma primavera brasileira, para evitar o retrocesso no desenvolvimento da educação do país. Vejo com muito bons olhos as manifestações e os manifestantes de 2011. Sempre que houver povo na rua defendendo mais democracia e justiça social, haverá ali a completa solidariedade e o apoio da União Nacional dos Estudantes.

A principal campanha do movimento estudantil neste ano foi a defesa de 10% do PIB para a educação no Brasil, garantidos pelo Plano Nacional de Educação, o PNE-2011/2020. Qual o saldo dessa luta e as expectativas para o ano que vem?

Foi importante o movimento estudantil e também o movimento social no geral, professores, entidades ligadas à educação e outros terem unificado essa pauta, cientes do que é melhor para o Brasil. Lamentamos que a aprovação do Plano tenha ficado para o ano de 2012 e sentimos que precisamos fazer muito mais pressão junto aos parlamentares, ao governo, à imprensa para que essa pauta tenha mais visibilidade. Garantir 10% do PIB para a educação é uma das medidas mais importantes para desenvolver o Brasil, esse não é um tema setorial, investir na educação é investir na economia, no setor produtivo, na ciência e tecnologia, na democracia, no combate à corrupção, no desenvolvimento sustentável, em tudo. Não iremos recuar nesse sentido, essa campanha deve se fortalecer no ano que vem, até a aprovação do PNE.

Como a UNE avalia a atual conjuntura econômica de crise no mundo e a situação do Brasil?

Uma reflexão importante que essa crise nos traz se refere aos sinais de falência de um modelo econômico baseado nas riquezas de poucos e na exclusão de milhares. Antes, os chamados países em desenvolvimento ou subdesenvolvidos sofriam fortemente as consequências desse modelo, agora sabemos que trata-se de um problema estrutural, que pode atingir em cheio os países centrais, como se observa na violenta crise que se assombra para a zona do Euro. É papel do movimento social, além de apontar a insuficiência desse sistema financeiro, lutar contra a redução de direitos da população. No Brasil, temos uma situação um pouco mais estável, mas ficamos preocupados com a insistência pela manutenção de uma política econômica de juros altos, conservadora em relação a investimentos sociais estratégicos e menos atenta às necessidades humanas. Nesse sentido, o movimento social brasileiro se mobilizou bastante esse ano, com protestos em todas as reuniões do COPOM [Comitê de Política Monetária], pedindo a redução dos juros e outras medidas mais progressistas. A UNE permanecerá nessa luta em 2012.

Quais devem ser as prioridades do movimento estudantil em 2012?

Primeiramente, vale dizer que 2012 é o ano em que a UNE completa 75 anos. Vamos comemorar esses três quartos de século fazendo o que sabemos melhor, nas ruas, ocupando espaços, protestando pela educação pública do país, mobilizados nas universidades e também nas redes sociais. Começaremos as obras da nova sede e do novo centro cultural da UNE na Praia do Flamengo, 132 e planejamos, também, uma Caravana da UNE como marco de comemoração dos 75 anos. A Caravana refletirá sobre o Brasil daqui a 10 anos, ao completar 200 de independência. Na pauta das nossas lutas estarão o desenvolvimento do Brasil, a ampliação da assistência estudantil, o aumento de vagas na universidade, principalmente nas públicas, mas também em importantes iniciativas como o Prouni, que já está mudando a cara do ensino privado. Na verdade, permaneceremos na luta por uma verdadeira reforma do ensino privado, que precisa ser devidamente regulamentado de forma a garantir a qualidade da educação e não tratá-la como mercadoria. Como já disse anteriormente, continuaremos muito firme nas nossas principais lutas a favor da educação: 10% do PIB e 50% do Fundo Social do Pré-Sal para essa área. Outro ponto de grande interesse do movimento estudantil em 2012 será, sem sombra de dúvida, a questão da meia-entrada em espetáculos culturais e esportivos. Seguiremos na luta intransigente para garantir o direito à meia-entrada estudantil, que, no nosso ponto de vista, é fundamental para garantir a formação plena dos nossos jovens, vale lembrar que a UNE não abrirá mão da regulamentação federal da meia-entrada, valendo, inclusive, para os jogos da Copa do Mundo de 2014. Será uma honra participar da UNE em um ano histórico como esse, por ocasião dos seus 75 anos, e certamente essa gestão irá fazer valer esse momento.

Fonte: UNE

domingo, 1 de janeiro de 2012

João Amazonas em momentos históricos. #JoãoAmazonasPresente

Hoje, quando se comemora o centenário de vida do camarada João Amazonas, o Vermelho reproduz um vídeo, feito pela Comissão Nacional de Comunicação do PCdoB, em 2002, que traz momentos marcantes da existência do militante histórico do Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Em um dos trechos, é possível rever sua intervenção no 10º Congresso.



Confira a primeira parte:





Confira a segunda parte:




Do portal vermelho.org