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segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Encontro de Jovens Trabalhadores: Os caminhos possíveis da juventude trabalhadora da CTB

O encontro realizado no dia 13 de agosto em Caxias do Sul reuniu mais de 100 jovens metalúrgicos, agricultores, comerciários, sapateiros, funcionários públicos, dentre outras profissões, trazendo ânimo e a necessidade de reflexão. A segunda edição do Encontro da Juventude da CTB gaucha dobrou seu número de participantes em relação a primeira edição, revelando o aumento da capacidade organizativa e de mobilização dos jovens no mundo do trabalho. No entanto, muito ainda precisa ser feito para envolver um número ainda maior de jovens na luta da classe trabalhadora. Os debates realizados no Sindicato dos Metalúrgicos permitem algumas reflexões sobre os rumos da CTB para mobilizar cada vez mais jovens na luta por conquista de direitos trabalhistas. A tarefa que se apresenta para o Coletivo de Juventude da CTB gaucha não é nada banal: construir o formato de uma entidade capaz de dialogar e mobilizar massivamente a juventude trabalhadora.

Alguns caminhos possíveis

Os participantes do Encontro dão uma pista dos caminhos que a juventude da CTB deve seguir. Uma parcela significativa, em torno de 10% dos presentes, apesar de trabalhar, não era filiado ao sindicato de seu ramo de trabalho. Grande parte desses trabalhadores foi mobilizado para o Encontro por ter desenvolvido algum tipo de militância em outras organizações de juventude, como o movimento estudantil ou o movimento hip hop. Esta é uma potencialidade que ainda não foi suficientemente explorada: conduzir essa significativa parcela de egressos do movimento estudantil para a militância sindical. O que acaba acontecendo é que a maior parte dos ex-militantes estudantis, se não segue o caminho partidário-institucional, acaba “tocando a vida”, o que significa não exercer nenhum tipo de militância relacionada ao seu trabalho.

Uma tarefa que se apresenta a juventude da CTB é reencantar esses “ex-militantes”, reforçando a ideia de que a necessidade de lutar não termina quando o trabalho começa. Muito pelo contrário. Aí é que a luta começa de maneira mais intensa e decisiva para a transformação efetiva da sociedade. No entanto, para ser capaz de dialogar com esses jovens, a juventude da CTB precisa ter uma linguagem e um formato diferente dos sindicatos. Muito embora precise atuar em sintonia política com os sindicatos que compõem a CTB, a juventude da CTB não pode ser simplesmente uma instância desses sindicatos. Precisa necessariamente ter uma identidade, atuação e dinâmica próprios.

Conquistar direitos para desenvolver o Rio Grande do Sul

A Conferência de Juventude é um mote que a Juventude da CTB elegeu para mobilizar os jovens trabalhadores. Em função disso, a juventude da CTB aprovou em seu Encontro um documento com propostas concretas para apresentar ao governo por meio da Conferência. As pautas dialogam com a realidade da juventude trabalhadora, para a qual, em sua maioria, trabalho e educação são interesses que andam de mãos dadas. Para ler o documento na íntegra, clique aqui.

Como bem observou o deputado federal e sindicalista Assis Melo na abertura do Encontro, “as bandeiras dos jovens são as mesmas de toda a classe trabalhadora, mas precisamos trabalhar propostas específicas visando mais educação, formação e qualificação profissional”. Os jovens precisam cada vez mais de um sistema de ensino que prepare para o mercado de trabalho e que contribua de fato para o desenvolvimento integral de suas potencialidades. O ensino precisa mudar na sua estrutura curricular, na sua democracia de acesso e gestão, e essa é uma bandeira que mobiliza jovens por todo o RS.

Precisamos mobilizar os jovens trabalhadores para defender nas conferência municipais propostas que apontem essa necessidade de educação, formação e qualificação profissional. Isso se traduz em mudança curricular nas escolas, aumento do número de escolas técnicas e de programas como o PROJOVEM trabalhador, ampliação de vagas no ensino superior público, construção do PROUNI RS, etc. A bandeira da educação também é uma necessidade para o jovem do meio rural, mas não é a única. Crédito e assistência técnica são condições indispensáveis para a permanência do jovem agricultor no campo.

A tarefa imediata do coletivo da juventude cetebista gaucha é agendar nas conferências municipais, em especial nos municípios onde tem mais forte atuação, essas necessidades. Para isso, precisa dialogar com os jovens trabalhadores, sindicalizados ou não, chamando-os para lutar por esses direitos participando de debates, atos públicos, e outras formas de atividades. O Coletivo Jovem da CTB deve ser capaz de agitar muitos jovens nas etapas municipais da Conferência, criando nesse movimento ao mesmo tempo possibilidade de conquistas concretas e o surgimento de novas lideranças capazes de fortalecer a luta da classe trabalhadora.

É uma tarefa audaciosa, mas a julgar pela composição do Coletivo consolidado no Encontro, o mesmo está a altura do desafio. É hora de se apropriar de tudo que foi construído pela militância metalúrgica, comerciária, agricultora, e somá-la a todo o caldo contestador dos movimentos estudantil e cultural e produzir algo inovador e revolucionário, capaz de ajudar a classe trabalhadora em sua batalha pela construção de um projeto de nação com valorização daqueles que produzem a riqueza deste país mas ainda são alijados de seus benefícios.


*Igor Corrêa Pereira é técnico administrativo da UFRGS, coordenador da Associação dos Servidores da UFRGS, dirigente estadual da União da Juventude Socialista e membro do coletivo estadual da Juventude da CTB/RS.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

UNE, 75 anos lutando pelo Brasil. Nossa história dá um bom samba?


Ao longo de seus 75 anos, a União Nacional dos Estudantes consolidou-se como uma das entidades de maior protagonismo do Brasil e manteve-se irreverente, ousada e jovem. A UNE está acostumada a tomar as ruas servindo de porta voz dos estudantes brasileiros, mas em 2012 suas palavras de ordem estarão ao lado do samba, suas reivindicações serão empunhadas pelas porta-bandeiras e a avenida tomada pela alegria e brasilidade da entidade será a Porto Seco, já que a escola de samba de Porto Alegre, Imperatriz Dona Leopoldina confirmou na manhã de hoje (09/08) a homenagem aos 75 anos da União Nacional dos Estudantes.

Com o enredo "75 anos de cara pintada de Brasil - A UNE somos nós, nosso samba, nossa voz!" a escola de samba cantará a história de lutas dos estudantes brasileiros, da sua fundação, passando pela bossa nova, pelo futebol, pelo enfrentamento ao regime militar, campanha Diretas Já, Fora Collor, até os dias atuais.

Se "tudo é dançável" como um dia escreveu Galeano, também é verdade que a nossa história é perfeitamente "sambável", algo já comprovado na 7ª Bienal da UNE que teve como tema "Brasil no estandarte, o samba é meu combate" e a participação de milhares de estudantes do país inteiro. Para os estudantes brasileiros não resta nenhuma dúvida, este enredo já nasce no ritmo de uma escola campeã.



De Novo Hamburgo, por Tiago Morbach, estudante de jornalismo

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Bate-papo com Manuela volta às escolas


Com a volta às aulas, a deputada Manuela retomou o projeto Bate-papo nas escolas. Nesta sexta-feira, 05, Manuela conversou com os alunos da escola Infante Dom Henrique, que fica no bairro Menino Deus.

Manuela falou mais uma vez sobre a importância da participação da juventude no desenvolvimento do país. "São 55 milhões de jovens no país. Vivemos, portanto, o ápice da nossa capacidade de produção e de trabalho. Para que isso se efetive como desenvolvimento para o Brasil é essencial a participação da juventude, a retomada do seu protagonismo", defendeu Manuela.

Durante o bate-papo, a deputada falou também sobre projetos de lei, sobre o cenário político nacional e sobre o Prouni. "O Prouni é um grande avanço. Sua viabilização permite que, enquanto eu não consigo ver realizado o meu sonho de uma universidade pública para todos, que o maior número possível de pessoas tenha a chance de cursar o ensino superior. Não posso cruzas os braços braços ou apenas acreditar que um dia teremos universidade pública e gratuita para todos. Trabalhamos para isso todos os dias. Mas é uma longa mudança. E eu quero agir no presente, quero que aqueles que têm a chance de formar através do Prouni se unam nessa mudança, nesse sonho. Um dia teremos, sim, universidade pública para todos. Mas hoje, o Prouni é um grande avanço. Há poucos anos, apenas 3% da população cursava o ensino superior. Com o Prouni, são 14%. Ir contra essa realidade é ir contra o país", afirmou Manuela.

Os alunos questionaram a parlamentar sobre o projeto de lei da meia-entrada em Porto Alegre. Manuela lembrou que, quando vereadora, apresentou um projeto de lei que implementava essa solicitação. "Na época, não era unanimidade. Hoje, felizmente, é e o projeto foi desarquivado. É preciso que todos - vereadores e jovens - se mobilizem para a aprovação da lei e para sua implementação pelo governo municipal", ressaltou. Para a deputada, têm a mesma importância que este projeto outros dois que ela também defendeu enquanto vereadora: fracionamento na compra das passagens escolares e meio-passe também aos finais de semana para os estudantes.

Ainda respondendo a questionamentos dos alunos, Manuela falou sobre o que chama de "nova política sobre drogas". Segundo a parlamentar, o Brasil precisa enfrentar a situação com coragem, conhecimento e estudo. "Estive na Holanda estudando o tema das drogas. Eles têm uma pesquisa de mais de 20 anos que sustenta a política lá empregada. Precisamos disso no Brasil. Não se pode falar em liberação de uma ou outra droga. É preciso analisar o contexto em que tudo acontece, criar reais chances de reabilitação, ter clínicas psiquiátricas, separar os problemas de saúde dos problemas de segurança. Não se pode tratar o tema de forma simplista porque morrem anualmente 30 mil jovens no Brasil. Eu defendo a regulamentação de alguns tipos de drogas, mas feito de acordo com muita pesquisa, muito estudo de impacto e um plano de ação concreta", explicou.

Fonte: www.manuela.org.br

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Mateus Fiorentini: Transformar o sonho em realidade também na América Latina


POR NUESTRA AMÉRICA: EDUCACIÓN, UNIDAD Y LIBERTAD!
XVI Congresso Latinoamericano e Caribenho de Estudantes
Todos a Montevidéu de 10 a 15/08

(...)para matar al hombre de la paztuvieron que imaginar que era una tropauna armada una hueste una brigadatuvieron que creer que era otro ejércitopero el hombre de la paz era tan sólo un puebloy tenía en sus manos un fusil y un mandatoy eran necesarios más tanques más rencoresmás bombas más aviones más oprobiosporque el hombre del paz era una fortaleza (…)“Allende”, um poema de Mario Benedetti

De 10 a 15 de agosto, Montevideu será o palco para as lutas estudantis e educacionais do continente. Mais de 3 mil estudantes, educadores, parlamentares, Ministros, secretários, lideranças do movimento sindical, camponês, dos povos originários, homens e mulheres estarão no XVI Congresso Latinoamericano e Caribenho de Estudantes. Um congresso que ocorre em um momento muito especial para o continente e para os estudantes.

O agravamento da crise mundial faz expor de maneira cada vez mais nítida as contradições entre as potências. É França e Alemanha sentindo os respingos da crise na Grécia, Espanha com cerca de 20% de desempregados, Berlusconi sendo derrotado no Parlamento italiano. Ainda o caso na Noruega, que possui uma política de atenção aos imigrantes, entristece o mundo ao ver-se que orientações xenófobas crescem no velho continente, derrubando a imagem dos países nórticos como isentos das grandes mazelas do capitalismo. Ai, crescem as mobilizações nesses países. Em especial na Espanha com os indignados que, mesmo com sua dubiedade, representam a manifestação da juventude contra o falido sistema capitalista e suas crises. Isso ainda para não falar dos super poderosos EUA que ameaçam o mundo com suas guerras e agora com um possível calote. Nesse cenário mais uma vez um papel de destaque da juventude. Esses mesmos que elegeram Obama e romperam um paradigma na conservadora sociedade norte-americana, na esperança de sair da lama da política Bush, hoje vêem que Barack é o Imperialismo de nova roupa mas para um samba antigo para qual ninguém foi convidado, assim o deixam sem 30 mil seguidores no Twitter. Dessa maneira, ao mesmo tempo nasce um mundo que caminha para a multipolaridade.

Nesse mundo que tende a multipolaridade, a juventude da América Latina tem destaque. São os estudantes argentinos que enfrentam o embate de rumos em um acirrado processo eleitoral. Os estudantes uruguaios na luta pelo fim da lei de Caducidad e pela segunda Reforma Universitária. Os estudantes colombianos contra a militarização do seu país e a ocupação norte-americana. São os estudantes peruanos que impuseram uma derrota ao Fujimorismo. Ainda temos os estudantes brasileiros em luta pela implementação de 10% do PIB e 50% do fundo social do Pré-sal em educação, disputando os rumos do país. Ainda mais, temos os estudantes cubanos que resistem contra o embargo imperialista e assim mesmo são um exemplo ao mundo de humanismo e solidariedade. Podemos falar dos estudantes hondurenhos que comemoraram o retorno de Zelaya ao seu país mas que seguem com uma ditadura. Ainda mais, podemos falar dos estudantes panamenhos e sua luta contra a presença norte-americana ao lado dos estudantes portoriquenhos em luta por sua independência. Não se pode esquecer dos estudantes venezuelanos que lutam contra a direita que comemora a cada tratamento de saúde que faz Hugo Chavez. Assim, em todos os países desse continente a luta por avanços e transformações é viva e tem a juventude na linha de frente.

Porém, quem lê este artigo se pergunta nesse momento: - e o Chile?! Não vai falar do Chile!?

Impossível não falar da principal luta estudantil do continente. Hoje todos os olhos da América Latina e do Caribe estão voltados para os estudantes chilenos. A cada dia que passa mais e mais estudantes ocupam as ruas de Santiago, Valparaíso e todo o Chile em defesa da educação pública, contra a mercantilização do ensino. Há pouco mais de um mês comemorávamos uma passeata com 40 mil estudantes em Santiago. Hoje são 500 mil e 9 ministros fora. É a capacidade dos estudantes chilenos através da Confech (Confederação de Estudantes do Chile) de mobilizar os estudantes e reunir um amplo apoio social em torno de suas pautas. E, assim transformar um movimento que, como disse Camila Valejo “já não é mais um movimento educacional ou estudantil, já é um movimento nacional”. Os estudantes chilenos lutam contra o “bem-sucedido” modelo neoliberal chileno, lutam para que o Estado invista na educação superior e a deixe de tratar como um mero serviço.

Enfim, de 10 a 15 de agosto Montevidéu será a confluência de toda essa panacéia e se transformará na capital latinoamericana dos estudantes. Ali estarão a diversidade da cultura do nosso belíssimo continente e a luta de todos nós, sonhadores de um mundo novo. Em Montevidéu saudaremos a linda herança de Mario Benedetti, os 85 anos de nascimento de Fidel Castro. Ainda celebraremos todos os estudantes que combateram em defesa da liberdade e da justiça no dia em que se relembra o assassinato do estudante uruguaio Liber Arce, primeiro mártir da ditadura nesse país. E com a memória da luta da nossa juventude comemoraremos os 45 anos da OCLAE (Organização Continental Latinoamericana e Caribenha de Estudantes) certos de que essa data se repetirá inúmeras vezes ao longo da história lutando em defesa de “NUESTRA AMÉRICA: EDUCACIÓN, UNIDAD Y LIBERTAD!”

Mateus Fiorentini é estudante de História da UFRGS, membro da Diretoria de Relações Internacionais da UNE e Secretário Executivo da OCLAE da Direção Nacional da UJS

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Deputada Manuela d'Ávila: Simples e eficaz

A Câmara promoveu uma importante discussão pouco antes do recesso parlamentar e retoma o tema na volta da atuação legislativa: o projeto de lei nº 84/1999, que tipifica os chamados cibercrimes - condutas realizadas mediante uso de sistema eletrônico ou contra sistemas informatizados. O projeto é conhecido como "AI-5 Digital". E, embora para alguns seja um exagero, entendo que é justificado. Por quê? Porque cria um estado de exceção permanente na internet, controla e pune os usuários. O projeto, além da censura e vigilância, apresenta problemas jurídicos que vão desde a ignorância de princípios fundamentais do Direito Penal a graves ofensas à Constituição.

Nesse sentido, é importante elucidarmos que há um princípio basilar do Direito Penal que orienta regulamentação das normas criminalizadoras. Segundo essa regulamentação, a tutela penal só se justifica para proteger bens jurídicos relevantes, que representem valores sociais importantes para todos os cidadãos. O projeto é o oposto disso. Os testes de segurança de sistemas, por exemplo, ou a identificação de vulnerabilidades (para sugestão de melhorias) nele são tipificados como crimes, muito embora não haja qualquer lesão.

Os problemas não se encerram aqui. Um segundo princípio do Direito Penal também é ignorado no texto: a taxatividade, que impõe ao Estado a redação dos tipos penais de forma clara e restrita, impossibilitando a sua aplicação arbitrária. Em outras palavras: todo o indivíduo, para poder se comportar de acordo com as regras da sociedade, deve saber claramente o que é proibido. Como aprovar, então, um projeto que pune o cidadão e, ao mesmo tempo, descreve de maneira vaga e ampla as condutas que visa a regrar. Exemplo claro é a definição de "sistema informatizado". Ora, será suficiente dizer que sistema informatizado é qualquer sistema capaz de processar, capturar, armazenar ou transmitir dados eletrônica ou digitalmente ou de forma equivalente (que abrange todo software, sistema operacional ou programa embarcado em qualquer dispositivo)? Não.

Toda vez que suscitamos o tema da época em que vivemos, falamos da velocidade com que as coisas acontecem e a tecnologia evolui. O que hoje é novidade em pouco tempo tem grande chance de estar superado. Isso se dá não apenas nas questões relativas à tecnologia, afinal vivemos na era da propriedade intelectual, das operações financeiras eletrônicas, das redes sociais virtuais. Nosso comércio já tem caixas de autoatendimento e muitas transações bancárias não exigem a presença de funcionário. Não se pode, portanto, excluir desse processo evolutivo a transformação pela qual passa, por óbvio, o Direito.

O Direito tem de se adaptar às novas dimensões da vida social e, por consequente, estar atento às particularidades da era digital. Nesse sentido, a informação deve ser tratada como bem público. Isso significa considerar a liberdade de informação e seu fluxo irrestrito como base e pré-requisito para um sistema econômico, político, social e cultural livre. O projeto 84/1999 faz o contrário. Ele traz como eixo a potencial criminalização das condutas que garantem essa liberdade. Representa um entrave ao desenvolvimento nacional.

Criminalizar condutas comuns no mundo informatizado, sem que haja de fato risco de que algo ou alguém seja lesado, é criar uma solução simplista, é frear um ritmo de desenvolvimento que já consolidamos e que nos permite ser potência mundial. A regulamentação das condutas realizadas na internet não pode criar mais um espaço para que o Estado aja como ente punitivo. Acredito, sim, que deve criar limites para o seu exercício, garantindo a devida liberdade no mundo virtual, que possibilite a responsabilização por condutas abusivas, sem que se recorra ao cerceamento de garantias fundamentais.

Ressalto, por fim, o fato de que não existe anonimato na rede. Os crimes são reais, praticados por pessoas reais. O meio em que se dão é virtual. Com investimento em inteligência - e não em punição - a solução para os problemas é mais simples e eficaz. E o marco tem papel fundamental, pois determina os direitos e os deveres na internet. Somente a partir de sua aprovação cabe uma discussão sobre punição e tipificação de cibercrimes.

Manuela dávila é deputada federal (PCdoB/RS)
Artigo publicado no jornal O Globo em 29/07

sábado, 30 de julho de 2011

Manuela d'Ávila: Minha vida naquela praça

Lona lotada de Jovens de todos os estados do Brasil. Alguns, vi crescer. Outros tantos participei do processo de filiação. Cabelos que mudaram, barbas que cresceram, papeizinhos com telefones de contato que viraram filiações, palestras em universidades... Mais distantes da lona, tal como pais orgulhosos dos filhos crescidos, militantes mais velhos. Os meus amigos e veteranos.
A minha vida.
Pediram para que eu falasse no lançamento da campanha de filiação da UJS. Aceitei na hora. Tudo normal.
Ato político.
Palco, luz, calor. Um pouco de dor de cabeça da intolerância a lactose desrespeitada com um enorme e típico gostoso biscoito de queijo goiano.
Dirigentes, ex-dirigentes, antigos e novos.
Tudo junto e misturado.
Nó na garganta.
Aquela praça.
Aqueles olhos brilhando cheios de expectativa. Aquela esperança toda concentrada em sorrisos e dores nas costas decorrentes das longas distâncias percorridas nos piores ônibus.
Aquela felicidade decorrente de um encontro que faz com que o jovem pare de sentir-se só. Pertencimento! Não sou o único que me preocupo com a sociedade? Não sou o único que gosta de política? Aquele encontro com muita gente que carrega - e quer carregar - os mesmos valores. Mesmo que eles sejam contrários aos vendidos nas propagandas da TV: solidariedade, lealdade, combatividade, brasilidade!
Aquela alegria de ser jovem e ter a certeza de que podemos mudar tudo, que nada é impossível, afinal estamos ali com milhares de diferentes sósias de nós mesmos.
Aquela garra que muda a história, que faz com que menos gente passe fome, mais gente estude, tenha casa, tenha remédios e saúde. tenha emprego e trabalho.
Aquela praça.
Aquele ano!
Aquele encontro com a menina que se revoltava com as injustiças. E que pouco sabia como agir, como potencializar sua revolta. Aquele encontro com os olhos de uma esperança aflita, desorganizada.
Aquele encontro com a menina que carregava a certeza da necessidade de mudar esse mundo e
que não sabia como mudar.
Aquela praça.
A UJS.
As respostas dadas ao longo dos últimos doze anos para a menina que também já foi um contato da universidade.
Aquela praça.
Aquele ato.
Ontem, estive presente no palco e na platéia.
Me vi em cada olho que brilhava com nossas palavras.
Sorri, cúmplice, com cada lágrima de emoção que brotava nos olhos que acabaram de decidir mudar suas vidas, melhorar suas vidas, ressignificar seus sonhos.
Me entreguei, mais uma vez, à luta pelo socialismo, por mais justiça.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Passo Fundo se prepara para Conferência de Juventude


É apresentada a Comissão Organizadora da 1º Conferência Municipal de Juventude

Em reunião com o prefeito Airton Dipp nesta quinta-feira, 28, o coordenador da Coordenadoria da Juventude de Passo Fundo, Álvaro Lotermann, apresentou a Comissão Organizadora da 1ª Conferência Municipal de Juventude, que acontecerá nos dias 29 e 30 de agosto. Para as atividades que serão realizadas durante a Semana da Juventude, de 29 de agosto a 04 de setembro, os jovens representantes da comunidade passo-fundense promoverão uma série de palestras e debates acerca do tema Juventude, Desenvolvimento e Efetivação de Direitos.

Dipp entende que é preciso abrir espaço para a juventude, visando uma geração forte e consciente. Os critérios de nomeação da comissão organizadora estão no Regimento da Conferência Nacional de Juventude e preveem a representação mínima de 4 organizações da sociedade civil, 2 orgãos do Poder Executivo e 2 do Poder Legislativo. A comissão ficou composta por representantes do Diretório Central de Estudantes (DCE) da UPF, Junior Chamber International (JCI) de Passo Fundo, Pastoral da Juventude, União Passo Fundense de Estudantes (UPE) e Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL-Jovem).

O Poder Legislativo ficou representado pelos vereadores Rui Lorenzato e Juliano Roso, e o poder executivo pelo próprio Coordenador da Juventude Álvaro Lottermann e pelo Secretário Giovani Corralo.

Nos dias 29 e 30 de agosto a Faculdade Anhanguera sediará a Conferência no turno da manhã, onde jovens de 15 à 29 anos podem participar.

Por Álvaro Lottermann, Coordenador Municipal de Juventude de Passo Fundo e membro da Direção Estadual da UJS.